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| Chapéu típico de sertanejo com a Estrela de Davi. |
Quem nunca ouviu dizer que no inicio da colonização do Brasil, Portugal só tinha mandado bandido e degregado, ou seja, a escória do país? Bom, se isso é verdade ou não, depende do ponto de vista, mas o fato é que um terço desses degregados tinham origem cristã-nova (judeus marranos convertidos à força). Foram esses judeus que contribuiram com a vinda dos holandeses para Pernambuco e, depois de expulsos, foram aos EUA ajudar a fundar o que hoje é a maior cidade do mundo, Nova Iorque (na época Nova Amsterdam que, por sua vez, chamava-se Nova Jerusalém).
Aqueles que não conseguiram fugir para os EUA, foram se interiorizando no nordeste do país para fugir da inquisição. Esses cristãos-novos foram se assimilando e, hoje em dia, a maioria dos seus descendentes nem conhecem essas raízes, muito embora já exista um movimento de retorno de muitos deles, como bem explica o documentário A Estrela Oculta do Sertão (link aqui). Muitos costumes típicos do interior do nordeste têm raízes judaicas. Os exemplos abaixo, foram retirados do Portal Anussim (marrano em hebraico). Lista completa aqui:
Familia
- Os nomes bíblicos são/eram comuns entre os familiares.
- Era comum o casamento consangüíneo. Tataravós, bisavós, avós, pais ou familiares casaram entre primos e/ou tio com sobrinha.
- Proibição de comer carne com sangue.
- O sangue caído no chão no abate do animal era coberto com terra ou mesmo propositalmente derramado todo ao chão e depois coberto com terra.
- Não era permitido cozinhar carne e leite juntos. Ás vezes esperava-se um tempo entre a ingestão do leite e da carne.
- Celebrar a Páscoa, e jejuar durante a Semana Santa. As datas da Páscoa Cristã e da Páscoa judaica freqüentemente coincidem.
- Varrer o chão longe da porta, ou varrer a casa de fora pra dentro, com a crença de que se o contrário fosse feito as visitas não voltariam mais. Na verdade esta prática está ligada ao respeito pela Mezuzah (caixa com texto bíblico), que era pendurada nos portais de entrada, e passar o lixo por ela seria um sacrilégio.
- Pedir a benção para os pais na hora da saída e da chegada em casa. Normalmente ao abençoar um filho, neto ou sobrinho, costumava-se fazer com a mão sobre a cabeça.
- Ensinar às crianças a lenda de que apontar estrelas fazia crescer verrugas nos dedos. Como o dia judaico começa na noite do dia anterior, o início de um dia era marcado pelo despontar da primeira estrela no céu. Então o sábado começava com o surgir a primeira estrela no céu na sexta-feira. Se uma pessoa demonstrasse alguma reação publicamente com relação a tal estrela, ela seria alvo de suspeitas. Um adulto consegue conter-se, mas uma criança não.
- Tradição de seguir as fases da lua (Salmo 104.19), correlacionando com o ciclo agrícola.
- Antes de beber, jogar um pouco de bebida para o santo (tradição com origem no vinho derramado para Elias no ritual de Pêssach, a Páscoa Judaica).
- Uso de expressões como “Que massada” (uma fortaleza judaica que foi destruida), ou “pagar a siza” (sizá é imposto em hebraico) ou “fazer mezuras” (reverência à mezuzah). Ainda expressões como “a carapuça serviu”, que é referência aos chapéus usados por judeus na Idade Média para diferenciar dos não judeus.
- Cortar as unhas do defunto como também alguns fios de cabelo e envolver tudo em um pedaço de papel ou pano.
- Lavar o corpo de um morto. Normalmente com água trazida da fonte em um recipiente novo, que nunca tenha sido usado, e vestir o corpo em roupas brancas, as mortalhas.
- Velar o corpo durante um dia, e então uma levá-lo por uma procissão até à igreja e de lá ao cemitério.
- Jogar um punhado de terra sobre o caixão, quando esse era descido à sepultura.
- Lavar a casa depois do enterro.
Quem é do interior do nordeste sabe que realmente esses costumes são muito comuns por lá. Existe também uma lista de nomes e sobrenomes tipicamente marranos aqui.
